O amanhã é possível?
Por uma nova filosofia da normatividade
Nunca tivemos tantos meios para transformar o mundo. Mas fazer mais significa depender menos? A partir da constatação de que vivemos daquilo que não produzimos, o livro chega à participação, à responsabilidade e ao nascimento da obrigação.
- Autor
- Pablo Dietrich
- Editora
- Autografia, Rio de Janeiro, 2026
- Área
- Filosofia da normatividade, filosofia da técnica e ética
- Lançamento
- 9 de novembro de 2026, sede da Editora Autografia, Rio de Janeiro
- Em inglês
- Is Tomorrow Possible? Toward a New Philosophy of Normativity (ebook, tradução do autor)
Antes de decidir o que fazer com o mundo, é preciso compreender aquilo de que vivemos. Antes de projetar o futuro, é preciso reconhecer o que já nos precede e sustenta.
Sobre o livro
A irrigação libertou a lavoura da chuva, mas prendeu-a ao aquífero e à rede elétrica. A refrigeração libertou a mesa das estações, mas prendeu-a à cadeia de frio. O adubo sintético libertou o solo do esterco, mas prendeu o pão ao gás natural. A medicina libertou o corpo de infecções que eram sentenças, mas prendeu a saúde à cadeia dos antibióticos e da água tratada. Em todos esses casos a técnica não suprime a dependência: desloca-a para condições mais distantes e menos visíveis, que só se fazem notar quando falham.
Desse fenômeno, comum a toda a experiência contemporânea, o livro retira uma tese que reorganiza as questões clássicas da relação entre o homem e a natureza. Poder e independência não são a mesma grandeza. Uma civilização pode tornar-se, ao mesmo tempo, mais capaz e mais dependente daquilo que não produz, e a autocompreensão moderna, que vê em cada novo meio uma emancipação, repousa sobre uma suposição falsa.
A partir daí, o argumento percorre um caminho em que cada passo pressupõe o anterior. Pergunta o que é uma condição, encontra na vida a origem da distinção entre funcionar e falhar, chega à participação como o modo de ser de tudo o que existe por condições que não produz e, por fim, à responsabilidade de quem é capaz de compreender, justificar e rever o que faz. O livro distingue com cuidado o que demonstra do que defende como melhor explicação, e nomeia o ponto exato em que a passagem do ser ao dever exige uma premissa de outra ordem.
A tese central
A co-participação em condições não produzidas institui, entre os que delas participam, uma relação de conta. Um agente capaz de responder, que reorganiza condições das quais outros também dependem, deve justificação a todos aqueles cuja participação essas condições sustentam. O dever não depende de contrato nem de consentimento, e por isso alcança também os que ainda não nasceram e os que não podem cobrar.
Conceitos principais
- Assimetria
- Nenhum meio substitui de modo líquido uma condição constitutiva; todo meio apenas a desloca, e o conjunto das condições de que um sistema depende nunca se esvazia.
- Condição
- Aquilo que entra na manutenção de um sistema e não é produzido por ele.
- Normatividade vital
- A distinção objetiva entre funcionar e falhar, que surge com os seres vivos.
- Participação
- O modo de existir de tudo o que vive por relações constitutivas com o que não produz.
- Responsividade
- A capacidade de compreender, responder, justificar e rever a própria ação.
- Arquitetura dos bens
- Os bens não se somam nem se equivalem: ordenam-se pela dependência, e o que sustenta precede o que é sustentado.
Perguntas frequentes
Do que trata o livro O amanhã é possível?
Trata da relação entre os meios que produzimos e as condições de que dependemos sem as ter produzido. Mostra que a técnica não suprime a dependência, apenas a desloca para condições mais distantes e menos visíveis, e retira disso uma teoria da responsabilidade.
Qual é a tese central?
Poder e independência não são a mesma grandeza e não variam juntos. Um sistema mantido por fluxo, seja um organismo, uma cidade ou uma civilização técnica, pode tornar-se ao mesmo tempo mais capaz e mais dependente daquilo que não produz. Quem reorganiza condições de que outros também dependem deve justificação a todos eles, inclusive aos que ainda não nasceram.
O que significa participação no livro?
Participação é o modo de existir de tudo o que vive por relações constitutivas com condições que não produz. Uma língua, uma amizade, uma universidade ou um organismo são participações: o que os mantém não é a lista de seus componentes, mas o voltar-se contínuo para aquilo que recebem.
O livro é de filosofia ou de direito?
É um livro de filosofia, que une filosofia da natureza, da biologia, da técnica e da moral. Interessa ao direito porque oferece um fundamento para a responsabilidade e para a obrigação de justificar decisões que afetam bens comuns e gerações futuras.
Com quais autores o livro dialoga?
Entre outros, com Hans Jonas, Georges Canguilhem, Günther Anders, David Hume, Christine Korsgaard e T. M. Scanlon.
Existe edição em inglês?
Sim. A tradução do próprio autor, Is Tomorrow Possible? Toward a New Philosophy of Normativity, está disponível como ebook na Amazon, na Kobo e em outras lojas digitais.
Quando é o lançamento?
O lançamento da edição em português será em 9 de novembro de 2026, na sede da Editora Autografia, no Rio de Janeiro.
Como citar (ABNT)
DIETRICH, Pablo. O amanhã é possível? Por uma nova filosofia da normatividade. Rio de Janeiro: Autografia, 2026.